Estratégias de leitura e competência leitora: contribuições para a prática de ensino em História

Contribuição de Cecilia Rodrigues dos Santos

Artigo de Vitória Rodrigues e Silva disponibilizado na base on line do Scielo que “tem por objetivo tecer algumas considerações sobre as contribuições que a metodologia de leitura apresentada por Isabel Sole pode oferecer para a prática do ensino de História. O aprimoramento da competência leitora, papel central da escola, deve ser preocupação permanente dos professores dessa disciplina, contribuindo desse modo para a melhoria do desempenho dos alunos do Ensino Básico.”

Confiram o artigo completo neste link:
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-90742004000200005

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Daily Rituals: How Artists Work

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O portal eletrônico Archdaily publicou no início desse mês uma notícia recomendando o livro Daily Rituals: How Artists Work de Mason Currey.
Achamos muito interessante esse trabalho que fala sobre o dia-a-dia (rotina e hábitos de trabalho) de 161 personalidades mundiais, incluindo escritores, poetas, compositores, pintores, filósofos, cientistas e alguns arquitetos importantes.
O livro surgiu após o blog Daily Routines – que começou como um hobby para o autor – ter feito bastante sucesso na internet.

Segundo o site archdaily:
“O livro Daily Rituals do escritor estadunidense Mason Currey, e dono do blog Daily Routines, expõe as rotinas das grandes mentes da nossa sociedade: desde as leituras madrugadoras de Peter Eisenman à erradicação do descanso noturno de Buckminster Fuller, passando pelas manhãs de pintura de Le Corbusier e pelos esporádicos cochilos de Frank Lloyd Wright.”

Confira a notícia completa aqui:
Valencia, Nicolás. “Comer, pensar e projetar: a rotina dos mais renomados arquitetos ” [Comer, pensar y proyectar: la rutina de los principales arquitectos] 03 Jun 2014. ArchDaily.

Site pessoal do autor:
http://masoncurrey.com/

O feminismo mudou a ciência?

Autor: Londa Schienbinger
Editora: EDUSC

A partir da inter-relação entre questões de gênero e os modos de fazer ciência, Londa Shienbinger examina o lugar da mulher na academia e na ciência, avaliando as questões de gênero ligadas à ciência e à sociedade nos Estados Unidos, fazendo também comparações com outros países. Ela argumenta que, as mulheres elaboram o saber científico de maneira diferente do modo competitivo e reducionista dos homens, elas tendem a ser pensadoras holísticas e integrativas, mais pacientes, persistentes e atentas a detalhes, dispostas a esperar que os dados de pesquisa falem por si mesmos ao invés de forçar respostas.

A autora propõe a incorporação de uma consciência crítica de gênero na formação básica de jovens cientistas e no mundo rotineiro da ciência, por meio de instrumentos de análise pelos quais a pesquisa científica possa ser desenvolvida, e também criticada em linhas feministas. Mas alerta que essa incorporação das mulheres à ciência não pode ocorrer sem conturbações na ordem vigente, Pois a ciência moderna é um produto de centenas de anos de exclusão das mulheres, e o processo de trazer mulheres para a ciência exigiu, e vai continuar a exigir, profundas mudanças estruturais na cultura, métodos e conteúdo da ciência.

Ela nos informa que as mulheres só foram admitidas nas universidades norte-americanas na última década do século XIX. E que uma maneira de integrar uma compreensão crítica do gênero na ciência, seria ter estudantes de ciência seguindo cursos de história do gênero na ciência, mas que somente nas últimas décadas esses cursos se tornaram disponíveis. E que parte dos conflitos entre a Ciência versus Feminilidade, segundo Schienbinger, deve-se ao contexto histórico, que teria levado a cultura científica a se estruturar com base na (falsa) premissa de que dois domínios da vida – o profissional e o privado – são separados. De modo geral, a estruturação da carreira profissional de um homem cientista sempre partiu da premissa de que havia uma mulher em casa, cuidando de sua vida privada.

Ela conclui que tanto feministas quanto seus opositores concordam que o espaço para as mulheres tentarem construir uma carreira dentro ou fora da vida acadêmica é reduzido e deve ser ampliado. Definindo que esse acesso restrito das mulheres à carreira científica ocorre por três razões segundo Désirée Motta Roth (p.13): 1) a estruturação social em torno dos interesses e do poder masculino; 2) a total cisão entre a esfera pública (dirigida para e pelos homens) e a esfera privada (dirigida para e pelas mulheres); 3) a dissociação entre o saber considerado científico do senso comum.

A autora também diz, segundo Maria Teresa Citeli em sua resenha, que desde 1950 presenciamos mudanças significativas: mais mulheres presidem agências governamentais e ocupam postos acadêmicos de prestígio; instâncias governamentais interessam-se em monitorar a situação das mulheres nas ciências e publicar relatórios sobre o assunto. No entanto, os avanços não são uniformes, variam por região geográfica e área disciplinar e , mais que isso, não estão consolidados nem garantidos.

Artigos e livros sobre processo de projeto

Abaixo estão alguns artigos e livros que selecionamos sobre processo de projeto:

1) ASSUNÇÃO, Alexandre Vergínio. O croqui e a imaginação criadora no projeto de Design. Revista Thema, v. 7(2), 2010. – CAPES
A prática do Croqui – com o incremento da Imaginação Criadora – aparentemente carrega em si a possibilidade de superação de estereótipos, em direção à satisfação de novas descobertas. Estas são alimentadas pelas intervenções, da “mão obreira”, que o designer pode provocar nas representações gráficas de um modo particularmente inovador, re-significando o objeto projetual em pauta. Neste artigo, estou propondo uma reflexão sobre um dos modos que o estudante de Design tem na sua formação acadêmica e posterior vida profissional para abordar os problemas de projeto que lhe são submetidos: o Croqui. Este será analisado como uma representação gráfica manual de idéias nascentes, conjuntamente ao que lhe dá origem e sentido – a Imaginação Criadora.

2) MILLS, Criss B. Projetando com maquetes – um guia para a construção e o uso de maquetes como ferramenta de projeto. 2. Ed. Porto: Bookman, 2007.
Projetando com Maquetes é um guia sobre como utilizar a construção de maquetes como ferramenta de projeto. O livro inicia apresentando diversos equipamentos que podem ser utilizados na construção de maquetes e suas funções específicas. Essa descrição segue para os materiais e posteriormente para o tipo de maquete, que implica no grau de precisão que ela deve possuir, consequência direta do assunto que ela deve abordar, como uma maquete de cheios e vazios, e uma de fachadas.
A autora apresenta que dependendo do tipo de maquete, como as montadas rapidamente, como um desenho bidimensional, podem funcionar como croquis na evolução e desenvolvimento de projetos. Outras maquetes, como as volumétricas podem auxiliar a desenvolver áreas ainda não estudadas, por meio da sua relação com o espaço. As maquetes de entorno ajudam a analisar a relação do novo projeto com o entorno imediato.
As maquetes segundo a autora possibilitam ainda a experimentação e a tentativa, possibilidades facilmente alcançadas com novos recortes e rápida visualização, adaptações e reconstruções. Essas tentativas seriam mais morosas caso fossem feitas em desenhos e talvez não expressasse claramente a intenção do arquiteto.

3) FLORIO, Wilson. Croquis de concepção no processo de projeto em Arquitetura. Exacta, v.8(3), p. 373, 2010.
O autor inicia o artigo definindo croqui como elemento de concepção inicial do projeto, pois segundo ele pode-se relacionar memória, repertório e a capacidade de manipular ideias em pequenos desenhos e em pouco tempo. Esses croquis não são apenas registros dos pensamentos do arquiteto, mais auxiliam no desenvolvimento do pensamento, na medida em que ao desenhar, analisar e interpretar o desenho as ideias ficam mais claras e a partir delas pode-se evoluir e modificar o pensamento. Assim os croquis ajudam a demonstrar os caminhos percorridos pelo arquiteto até chegar ao projeto final.
O artigo busca mostrar as dificuldades e incertezas que ocorrem nos momentos de concepção de projetos e como os croquis ajudam a desenvolver essa fase e geram projetos diversificados e interessantes. Para o autor o croqui, como também maquetes físicas e digitais, são elementos que ajudam a materializar ideias que antes povoavam apenas os pensamentos do arquiteto.
O autor conclui o artigo ressaltando a importância do croqui na desmitificação do arquiteto gênio, da criatividade sem esforço, segundo ele divulgado por muitos arquitetos, pois é a presença do croqui que possibilita mostrar a união das habilidades, sensibilidades, conhecimento, experiências e muito trabalho na concepção de um projeto. Constata também que maquetes físicas, digitais e croquis não são simples ferramentas de representação, mas formas de entendimento e desenvolvimento de projetos.

4) LAWSON, Bryan; Como Arquitetos e Designers pensam; tradução Maria Beatriz Medina; São Paulo: Oficina de texto, 2011.
Em “Como Arquitetos e Designers pensam”, Bryan Lawson discute o papel do designer ou projetista em arquitetura, os componentes dos problemas em projeto e a busca de soluções. Os estilos de pensamento “são analisados com ênfase no processo criativo” (Lawson, 2011). O livro é dividido em 3 momentos. Inicialmente, o autor levanta a questão: O que é projetar? Nesta parte, examina o processo de projeto como acontecimentos sequenciais e aponta como se dá a formação dos projetistas e quais são as tecnologias para se projetar. Ao longo dessa primeira parte, o autor faz um mapeamento do processo de projeto na tentativa de definí-lo e chega à um resultado de: análise, síntese e avaliação.
Na segunda parte, Lawson examina quais são os componentes dos problemas de projeto e sugere o uso de medições, critérios e avaliações ao se projetar. Por fim, na última parte, o autor faz ponderações sobre o pensamento criativo em projeto. Começando pelos behavioristas, passando pela escola da Gestalt e a ciência cognitiva. Em um dos capítulos mais relevantes para o presente projeto, o autor discute o projetar como conversa e percepção. Lawson destaca ainda a importância do progresso que pode ser alcançado com a “conversa” no o ato de projetar:

“Aqui, o importante é quanto progresso se faz com essa conversa. Não importa se há um ou muitos projetistas, o processo parece o mesmo. Há uma interação com a situação por meio da conversa, na qual desenhos e ideias têm o seu lugar. Sem dúvida, as ideias são processadas por conceitos descritos com palavras. Essas palavras têm enorme importância, já que representam um conjunto complexo de características das quais algumas podem ajudar o projetista a ver um modo de avançar.” (LAWSON, 2011)

O autor afirma que os desenhos revelam alguns problemas e permitem ao projetista ver situações insatisfatórias. Finaliza sugerindo estratégias para projetar oferecendo um modelo flexível de projeto e afirmando: projetar é uma habilidade. As habilidades podem ser adiquiridas e desenvolvidas (Lawson, 2011).

Artigos sobre gênero

Selecionamos 2 artigos sobre gênero:

1) BRUSCHINI, Cristina; LOMBARDI, Maria Rosa. A bipolaridade do trabalho feminino no Brasil contemporâneo. Cad. Pesqui., São Paulo, n. 110, July 2000.
As autoras iniciam o artigo apresentando o cenário do trabalho feminino atualmente e nas últimas décadas. Os trabalhos mais comuns exercidos pelas mulheres eram os com pequena remuneração e que não necessitavam de um alto nível de escolaridade, como o trabalho doméstico. Esse quadro apresentou mudanças com a inclusão das mulheres em áreas antes tidas como de domínio masculino, como direito, arquitetura, engenharia e medicina, e essa mudança foi acompanhada de maiores níveis de escolaridade e melhores salários, entretanto ainda inferiores se comparados aos dos homens.
Na busca de entender esses dois pólos de trabalhos foram utilizadas diversas fontes secundárias que se relacionavam com os assuntos pesquisados. Essa busca revelou que o trabalho doméstico foi e é exercido majoritariamente por mulheres, com esse índice variando entre 93% e 97% do total de trabalhadores dessa área.
Notou-se também que carreiras como enfermagem e o magistério que necessitam de curso superior já apresentavam um alto índice na participação feminina, e continua crescente. Entretanto profissões como engenharia, arquitetura, medicina e principalmente direito apresentaram aumentos significativos, podendo destacar como cargos ocupados os de juízas, promotoras, procuradoras e curadoras.
Pode-se verificar que essas mudanças foram impulsionadas pelas mudanças culturais do final dos anos 60, e pelo aumento das vagas nas universidades públicas e particulares, que proporcionaram que esse cenário mudasse. Outra analise que pode ser feita é que essas mulheres continuam a ter menores salários do que homens em mesmo cargo, e para que essas mulheres possam se dedicar a suas carreiras precisam se apoiar nas trabalhadoras domésticas, fortalecendo esses dois pólos.

2)“Gênero, artefato e a constituição do lar: o caso paulistano” é um livro que nasceu a partir de um doutorado defendido na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP por Vânia Carneiro de Carvalho. O volume trás a discussão sobre a história da formação e do estabelecimento do gosto por decoração e consumo da burguesia paulistana. A autora ocupa-se em analisar o relacionamento simbólico entre objetos domésticos e formação de identidades sociais diferenciadas pelo gênero. A obra é dividia em cinco capítulos: Ações centrípetas: individualidades sexuadas; Espaços e representações de gênero: um campo operatório; Representações e ações corporais: a ubiquidade do gênero; Casa VERSUS Rua: a conspicuidade feminina e o trabalho doméstico; por fim A felicidade como conforto: bem-estar, domesticidade e gênero.

A autora faz uma análise dos cômodos de um tradicional palacete paulistano do século XIX e XX, ressaltando a divisão de gênero por cômodos. Longe de um senso comum que aponta a cozinha como local da mulher na casa e atenta ao seu recorte – burguesia paulistana de 1870 até 1920, Vânia aponta diferenças sociais do lar paulistano e do norte-americano, lembrando que devido à nossa herança colonial, a cozinha era o lugar dos criados. Além de buscar referências na literatura brasileira – Machado de Assis e José de Alencar – para interpretar o cotidiano brasileiro, a autora baseia-se em Richard Sennet e Michel Foucault ao discutir sobre o disciplinamento dos corpos no mundo urbano.
A autora destaca que em determinada época, a tradição colonial é desprezada e as medidas higiênicas tonam-se ponto forte de preocupação dentro dos lares, acarretando em fortes mudanças na decoração das casas. As cortinas pesadas que acumulassem pó já não são mais indicadas pelos médicos, a cozinha passa a receber atenção e torna-se azulejada, os panos e toalhas são pendurados. Por fim a autora levanta o tema que pode ser considerado uma das hipóteses centrais de sua pesquisa: a decoração, a criação de ambientes no lar que transmitam efeitos opostos à vida dura e competitiva na rua, existe para o homem, não para a mulher:

“Questionando o privado como reino da mulher, Vânia nos lembra de que o homem não somente se socializa no lar, como a própria constituição do lar como espaço de conforto e paz, de santuário alheio ao competitivo e bruto “mundo lá fora”, existe para servir ao homem. Todo o esforço dessas mulheres abastadas para decorar suas casas, a fim de que nos mínimos detalhes o espaço transmita o que a autora chama de conforto visual, faz parte do papel social e culturalmente designado a essas mulheres como mediadoras.”

Mutations

Editora: Actar Editorial
Autores: Rem Koolhaas Harvard Project on the city,Stefano Boeri, Sanford Kwinter, Nadia Tazi, Hans Ulrich Obrist.

Em “Mutações” Rem Koolhaas apresenta um atlas de novos espaços urbanos, com investigações desenvolvidas ao longo de um ano no curso de pós-graduação – Harvard Project on the City. São analisados assuntos relacionados com a condição urbana através da abordagem de temas como o impacto dos shopping centers nas cidades; a sistematização das estruturas e relacionamentos na prototípica cidade romana (How to Build a City); o espraiamento de Lagos, gigantesca cidade no oeste africano que é altamente funcional, apesar da falta de infraestrutura, ou o desenvolvimento sem precedentes da região do Delta do Rio Pearl (PRD).

O resultado desses projetos está reunido no livro, que traz também ensaios fotográficos – da Europa, América, China e África urbana, descrições de lugares específicos como Pristina e Benelux, textos de vários colaboradores, entre os quais: Sanford Kwinter e Daniela Fabricius, Stefano Boeri, Hans Ulrich Obrist, Nadia Tazi, Jean Attali, Moulier Boutang, Saskia Sassen, Bart Lootsma. Ainda, intercaladas com textos, mapas e fotografias, o livro traz estatísticas sobre o estado atual e futuro da cidade, apresentadas de forma altamente gráfica.

A primeira vista, o todo não é coerente e o leitor volta-se para o que for de maior interesse pessoal, no entanto, uma análise mais aprofundada, revela que os diferentes pontos de vista juntos, formam um retrato das poderosas forças que compõem a cidade moderna, que embora feita por nós, está além da nossa capacidade de controle. Em “Mutations” Koolhaas conclui que as cidades estão em processo de mutação à medida que a globalização e a urbanização transformam o meio ambiente e a forma tradicional arquitetônica.

Entrevistas com arquitetos

Hanno Rauterberg
Viana & Mosley Editora, 2009


capa do livro em inglês


capa do livro em português

Em Entrevistas com Arquitetos ou Talking Architecture: interviews with architecs, o jornalista e renomado crítico de arquitetura alemão Hanno Rauterberg entrevista 19 dos mais célebres arquitetos que comandam 17 escritórios pelo mundo. Os entrevistados são nomes de diferentes movimentos em diferentes lugares, como por exemplo: Cecil Balmond, Peter Eisenman, Norman Foster, Zaha Hadid, Oscar Niemeyer, Peter Zumthor, entre outros.
Entre as principais perguntas de Rauterberg, estão: Qual é o estado da arquitetura hoje em dia? O que inspira arquitetos? O que define seu trabalho? Pode a arquitetura mudar o mundo? Entre as respostas mais curiosas temos a do brasileiro Oscar Niemeyer que ao ser perguntado se ainda existia alguma coisa que desejasse na vida, diz:

“Eu gostaria de parar de falar de arquitetura. Eu preferia falar sobre literatura, mulheres e ciência. Se me fosse concedido um desejo, então que todo mundo fosse igualmente próspero, por favor. Que todo mundo fosse feliz. Atualmente, o mundo me parece terrivelmente desajustado. Há insatisfação por toda parte; muitas pessoas não acreditam no futuro; o dinheiro reina supremo. Até mesmo por essa única razão, a arquitetura não pode ser a resposta. A arquitetura não é importante, o muito é importante, e nós temos que mudá-lo. Esse é um mundo de merda”

Antes das entrevistas, Rauterberg escreve uma introdução intitulada: Modernismo Digital, porque a arquitetura é mais popular do que nunca. Adiante, o livro conta com inúmeras ilustrações e fotos de projetos, contribuindo para a discussão sobre realizações, desafios, inspirações e sonhos dos arquitetos. Em alguns momentos, Rauterberg arrisca algumas provocações aos arquitetos, como no momento em que diz para a iraquiana Zaha Hadid: O jornal britânico The Times chamou-a de a mais odiada arquiteta da Inglaterra.
É um livro muito interessante. Sem perder o profissionalismo e fugir dos assuntos relacionados à arquitetura, o autor trás um lado mais humano dos arquitetos e vez ou outra deixa escapar perguntas mais pessoais e incomuns. A versão em inglês conta com fotografia coloridas, entretanto, há mais perguntas publicadas na versão em português.

In a Different Voice. Psychological Theory and Women’s Development

Em uma Voz Diferente. Teoria Psicológica e Desenvolvimento da Mulher
ISBN 0-674-44544-9
Editora: Harvard University Press.
Autora: Carol Gilligan

Em oposição às teorias de desenvolvimento humano (Freud, Piaget, Kohlberg, Levinson) baseadas no modelo masculino, Gilligan (Harvard Graduate School of Education) coloca que as mulheres pensam de uma maneira diferente – dão prioridade ao cuidado e à responsabilidade, muito mais do que aos direitos ou a justiça (o contraste entre a definição do self a partir da separação e baseado na continuidade, conexão).
A autora acredita que a psicologia tem repetidamente e sistematicamente sido incapaz de compreender as mulheres – seus motivos, compromissos morais, o decurso de seu desenvolvimento psicológico e sua visão particular do que é importante na vida. Conclui que não há algo de errado com elas, mas com a teoria, que tenta entende-las a partir de uma perspectiva masculina. Repetidamente, observa, as teorias do desenvolvimento têm sido construídas em observações da vida dos homens.
O desenvolvimento masculino é basicamente uma questão de separação do modelo em busca de autonomia e independência. Sob este viés, as mulheres seriam incapaz de tornarem-se adultos maduros, uma vez que seu desenvolvimento envolve uma luta contínua e sem solução para equilibrar suas responsabilidades com os outros e seus compromissos com elas mesmas. Enquanto os homens vêm a moral como uma questão de justiça imparcial, para as mulheres a moralidade é mais uma questão de cuidados. Seriam, portanto, menos morais? Questiona-se a autora. Se os homens dispõem-se a sacrificar o relacionamento com os outros em busca de realizações pessoais, estariam erradas as mulheres ao sacrificar conquistas pessoais para preservar relações? Na comparação do desenvolvimento de homens e mulheres, baseado no modelo masculino, as mulheres ficam aquém.
Em “Em Uma voz Diferente” Gilligan analisa respostas masculinas e femininas (em nove idades diferentes e em outros estudos separados) para o mesmo dilema moral. Suas colocações, baseadas na observação do dramático contraste entre as respostas de homens e mulheres, vão muito além da crítica negativa à teoria existente; a autora, neste ensaio, inicia uma conversa. Ao dar vozes às mulheres, coloca sua própria visão da personalidade feminina e contribui para o retrato da natureza humana, que têm sido, ao longo dos anos, muito unilateral. Chama atenção para a multiplicidade de vozes entre os “adultos” e as “pessoas” em geral.

The Reflective Practitioner – How Professionals Think in Action

Por Daniela Risso de Barros

The Reflective Practitioner

Figura 1: Capa do livro
(http://www.ashgate.com/isbn/9781857423198)

“Our knowing is ordinarily tacit, implicit in our patterns of action and in our feel for the stuff with which we are dealing. It seems right to say that our knowing is in our action. Similarly, the workaday life of the Professional depends on tacit knowing-in-action.” (“Nosso saber é normalmente tácito, implícito em nossos padrões de ação e em nosso sentimento para as coisas com as quais estamos lidando. Parece certo afirma que o nosso conhecimento está em nossa ação. Da mesma forma, a vida cotidiana do Profissional depende do conhecimento tácito da ação.”) – SCHÖN, 2007 – pg 49

Donald A. Schon, em The Reflective Practitioner – How Professionals Think in Action discute que tipo de conhecimento os profissionais da prática estão envolvidos e se existe um rigor intelectual nessa prática profissional. Seu trabalho é sobre o que ele chama de “epistemologia da prática” (“epistemology of practice”, SCHÖN, 2007 – pg.vii), o estudo da validade do conhecimento na prática. Discorre ainda sobre a reflexão do conhecimento intuitivo que ocorre no momento da ação. Segundo Schon, “os profissionais da prática exibem um tipo de conhecimento desta, que é na maioria das vezes tácito” (“They exhibit a kind of knowing-in-practice, most of which is tacit.”, SCHÖN, 2007 – pg.vii), assim para estes profissionais a sua experiência é muito importante, e o seu conhecimento normalmente é maior do que são capazes de explicar.
Os profissionais da prática estão envolvidos em conflitos de valor, objetivos, metas e interesses. O autor discute o conhecimento na prática assim como a reflexão na prática. O conhecimento durante a ação é aquele que é espontâneo, não é necessário pensar para realizar certas ações ou julgamentos. Às vezes os praticantes não percebem o que estão fazendo e simplesmente fazem. Já a reflexão durante a ação é uma improvisação que dá coerência ao todo, permite ao praticante analisar e criticar o conhecimento tácito que faz parte das experiências repetidas da prática especializada e permite a ele dar novo sentido às situações de incerteza e singularidade que ele pratica. Cada profissional da prática trata seu caso como único, uma vez que as situações na prática são caracterizadas por eventos únicos também, por isso ele não pode se utilizar de padrões teóricos ou técnicos, já que a ação refletida envolve experimento.
Na conclusão do livro, o autor diz que a sua preocupação é a de mostrar como o profissional pode ser transformado quando se comporta como um profissional reflexivo da prática. Este profissional admite não ser o único nesta situação a possuir conhecimento relevante para resolver o problema em questão, considera também que as suas incertezas podem ser fonte de aprendizado para ele e para todos os envolvidos no processo. Ele tende a questionar a sua tarefa, as teorias sobre a ação e as medidas de desempenho por quais é controlado.

Referencial bibliográfico: SCHÖN, Donald A. The Reflective Practitioner – How Professionals Think in Action. Editora Ashgate. England, 2007.

REFERÊNCIAS:
http://www.sopper.dk/speciale/arkiv/book49.pdf (acessado em 20/06/2012)
http://www.ashgate.com/isbn/9781857423198 (acessado em 20/06/2012)